
A história mundial comprova que os portos são elementos cruciais para o sistema econômico-comercial das nações, e seu desenvolvimento está intimamente ligado ao próprio desenvolvimento humano, sendo que seus efeitos multiplicadores são disseminados por todos os demais setores da economia.
Por este motivo conhecer um pouco da história desta importante atividade econômica, pode com certeza nos ajudar a entender o contexto atual de desenvolvimento pelo qual passa a região norte do fluminense, bem como nos tornar aptos a decisões mais acertadas no que tange a gestão dos impactos socioambientais e econômicos advindos destes empreendimentos. A saber, o Terminal Canaã no Município de São Francisco do Itabapoana, Barra e o Complexo Logístico Portuário de Farol-Barra do Furado, entre Campos dos Goytacazes e Quissamã.
Assim para por uma pouco de luz sobre esta atividade econômica pouco conhecida na nossa região. Vamos a uma breve análise histórica desta atividade de suma importância para nossa economia exportadora de commodities.
As cidades portuárias sempre tiveram importância na estruturação da economia e do território, considerando a forma como os portugueses colonizaram o país a partir do litoral.
A economia colonial e agroexportadora sempre dependeu dos portos como elemento estratégico para realização da economia mercantilista.
Ao analisarmos os ciclos econômicos do açúcar, do minério e da cafeicultura percebemos que estes sempre tiveram nos portos o meio de escoamento da produção para os países metropolitanos.
A história da modernização dos portos no Brasil se inicia em 28 de Janeiro de 1808, quando D. João VI decreta a abertura dos portos às nações amigas, fruto da transferência da sede da metrópole portuguesa de Lisboa para o Rio de Janeiro, tornando-a a capital do Império Português.
Em meados do século XIX, consolida-se o complexo agroexportador em função da demanda de produtos primários como: açúcar, algodão, tabaco, café, carne, entre outros (...), para os países industrializados. Tem-se então uma nova inserção do Brasil no sistema econômico mundial, objetivando a exportação das riquezas brasileiras, sendo o café o principal produto do complexo agroexportador, e a importação de artigos manufaturados. Já em 1846, o Visconde de Mauá (Patrono da Marinha Mercante Brasileira), criou a Companhia de Estabelecimento da Ponta da Areia, no porto de Niterói, donde aportavam e partiam embarcações destinadas à navegação de cabotagem na costa brasileira, bem como para os demais países do Atlântico Sul, América do Norte e Europa. Deste momento em diante, ocorreu o crescimento da atividade agroexportadora brasileira, tendo o governo imperial editado em 1869 a primeira lei de concessão à exploração de portos pela iniciativa privada. Este fato teve origem logo após a inauguração da ferrovia (São Paulo Railway), que permitia a exportação do café brasileiro mais facilmente. O complexo agroexportador vai estabelecer a estruturação socioeconômica baseada na economia dos fluxos de mercadorias, neste sentido os portos e as ferrovias tornam-se elementos estratégicos de realização das mercadorias na exportação para os países industrializados.
Continua...
Roger Coutinho
Referência:
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=168692
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=168692
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