domingo, novembro 17, 2013

E viva a República e Viva a Democracia, (...) Via?

Certo país que poucos realmente conhecem, e que foi redescoberto por ávidos e vorazes conquistadores, que buscavam em suas vastas terras uma fonte para suprir suas luxúrias. Que logo nos seus primos anos teve ceifado de suas carnes o seu ouro rubro, não morreu. Cresceu e passou por muitos dissabores, e apesar de ser habitado por um povo dito pacífico, viveu muitas guerras, algumas declaradas, outras veladas.


Foi explorado, libertado, libertado do libertador, e novamente acorrentado, por seu próprio sangue, lutou, e se consagrou como o país da liberdade, mesmo que tardia, mesmo que vazia.

Hoje encontra-se novamente em guerra, uma guerra fria, não gelada, necrófila. Todavia uma guerra homeopática, feita de pequenas baixas analgésicas.

Não sabemos mais como vencer esta batalha, pois o brado retumbante, não mais nos libertará, e os raios em fuga, não irão brilhar. Pois seu povo se esqueceu de quem é, não sabe mais contar sua história, não é mais capaz de honrar seus antepassados, e certamente não terá descendentes para honrá-los.

Pois nesta guerra fria que se desenrolou ao longo dos anos, muitas vítimas, muitos órfãos surgiram, filhos sem origem, sem pais, sem nação, filhos do sistema cruel e nefasto que lhes cerrou os olhos, pois temiam olhar para os monstros que criavam.

E agora tal qual no romance Frankenstein, criamos uma sociedade marginal, formada pelos restos pútridos de um povo que se nega a olhar para traz, e teme vislumbrar o futuro. E que agora de tochas a mão vai de encontro aos seus monstros para confiná-los nas mais altas torres, e por derradeiro atear-lhes fogo.

Roger Coutinho

quarta-feira, novembro 06, 2013

Pensamento Ecológico Profundo

Porque pensamos que para resolver os problemas da vida, sejam eles sociais, ecológicos, econômicos, ou ambientais, ou seja, os problemas humanos. Devemos fracioná-los em “probleminhas” e assim solvê-los, porque acreditamos na infante fabula do beija-flor, porque ainda falamos cheios de orgulho, e faço a minha parte.
Para entender este comportamento comum votaremos aos primórdios do pensamento científico, quando o homem descobre a razão, e começa a suas busca pelo entendimento dos fenômenos da vida, da natureza, do universo. Quando começa a duvidar dos paradigmas e dogmas estabelecidos.
Nesta busca pelo entendimento das coisas o homem tal qual a criança curiosa que destroça seu brinquedo para saber como este funciona, inicio um trabalho de desmonte de si mesmo e tudo que o cercava em busca das peças, das partes que formam o todo, e fez isso sob a égide da razão, da ciência. 
E assim grandes pensadores com René Descartes, e Francis Bacon, declaram e efetivam a ideia que a natureza (todos nós) deve ser analisada, desmontada, destruída, “torturada” para que assim os segredos da vida fossem revelados pelos fragmentos resultantes do processo. Em resumo a ciência passa a olhar a vida com uma grande e complexa maquina, complexa, porém uma máquina, e como tal poderia e devia ser tratada.
Assim o método de Descartes e Bacon, somados mais tarde a mecânica de Newton, culminaram em consolidar o paradigma em voga, ou pensamento cartesiano/mecanicista, ou método cientifico.
Desta forma tudo e todos passaram a ser vistos como máquinas, e os problemas da sociedade humana, fossem eles sociais, morais, éticos, políticos, de saúde, etc. Passaram a ser entendidos como defeitos da máquina, e tal qual as máquinas, para solvê-los bastava identificar a peça defeituosa e substituí-la. O trágico desta forma de pensar é que se olharmos para traz, veremos que tentaram substituir até mesmo seres humanos, que em algum momento foram vistos como peças defeituosas em um determinado contexto político... (que preferimos esquecer).

Em contraponto a esta forma de pensar, a este paradigma incipiente para diagnosticar e solver os problemas da sociedade humana há de se consolidar a paradigma sistêmico ou simplesmente pensamento ecológico profundo. 

Esta nova forma de pensar que ainda se encontra em gestação propõe que para se resolver as questões de sustentabilidade faz-se necessário uma analise do problema sobre suas várias facetas, para que assim o problema ser efetivamente sanado. É necessário ir à além da eficiência do fazer, devemos buscar a eficácia do solucionar.
Para exemplificar e não mais me alongar, já que o tema leva a uma longa digressão, vamos pensar nos crescentes problemas cardíacos da população humana. Nossa ciência médica cartesiana/mecanicista investe bilhões no desenvolvimento de fármacos, técnicas cirúrgicas, e até mesmo na criação de órgão artificiais, porém é incapaz de promover com eficácia uma mudança no comportamento alimentar do ser humano, que levaria a uma vida mais saudável e sem problemas cardíacos. 
Só para citar mais um exemplo clássico, nossa indústria automobilísticas também não mede investimentos na produção de carros com motores mais potentes e ditos menos poluentes, mas ninguém (ou raros) investe seriamente na mudança de comportamento, como usar bicicletas, ou caminhar, pelo contrário a mídia nos faz crer que possuir um “carrão” é mais que uma necessidade de mobilidade e um símbolo e acessão social, que locomover-se a pé, de bicicleta, ou em coletivos, é para os menos afortunados, para os incompetentes que não alcançaram o sucesso.

Roger Coutinho 

sexta-feira, novembro 01, 2013

Os Portos e o Desenvolvimento: Um breve olhar pela história

“A história das nações é escrita com o trabalho de seus filhos, com a riqueza do seu solo e com o movimento dos seus portos.” (Sérgio Matte)


 A história mundial comprova que os portos são elementos cruciais para o sistema econômico-comercial das nações, e seu desenvolvimento está intimamente ligado ao próprio desenvolvimento humano, sendo que seus efeitos multiplicadores são disseminados por todos os demais setores da economia.

Por este motivo conhecer um pouco da história desta importante atividade econômica, pode com certeza nos ajudar a entender o contexto atual de desenvolvimento pelo qual passa a região norte do fluminense, bem como nos tornar aptos a decisões mais acertadas no que tange a gestão dos impactos socioambientais e econômicos advindos destes empreendimentos. A saber, o Terminal Canaã no Município de São Francisco do Itabapoana, Barra e o Complexo Logístico Portuário de Farol-Barra do Furado, entre Campos dos Goytacazes e Quissamã.
Assim para por uma pouco de luz sobre esta atividade econômica pouco conhecida na nossa região. Vamos a uma breve análise histórica desta atividade de suma importância para nossa economia exportadora de commodities.
As cidades portuárias sempre tiveram importância na estruturação da economia e do território, considerando a forma como os portugueses colonizaram o país a partir do litoral. 
A economia colonial e agroexportadora sempre dependeu dos portos como elemento estratégico para realização da economia mercantilista. 
Ao analisarmos os ciclos econômicos do açúcar, do minério e da cafeicultura percebemos que estes sempre tiveram nos portos o meio de escoamento da produção para os países metropolitanos. 
A história da modernização dos portos no Brasil se inicia em 28 de Janeiro de 1808, quando D. João VI decreta a abertura dos portos às nações amigas, fruto da transferência da sede da metrópole portuguesa de Lisboa para o Rio de Janeiro, tornando-a a capital do Império Português. 
Em meados do século XIX, consolida-se o complexo agroexportador em função da demanda de produtos primários como: açúcar, algodão, tabaco, café, carne, entre outros (...), para os países industrializados. Tem-se então uma nova inserção do Brasil no sistema econômico mundial, objetivando a exportação das riquezas brasileiras, sendo o café o principal produto do complexo agroexportador, e a importação de artigos manufaturados.   Já em 1846, o Visconde de Mauá (Patrono da Marinha Mercante Brasileira), criou a Companhia de Estabelecimento da Ponta da Areia, no porto de Niterói, donde aportavam e partiam embarcações destinadas à navegação de cabotagem na costa brasileira, bem como para os demais países do Atlântico Sul, América do Norte e Europa. Deste momento em diante, ocorreu o crescimento da atividade agroexportadora brasileira, tendo o governo imperial editado em 1869 a primeira lei de concessão à exploração de portos pela iniciativa privada. Este fato teve origem logo após a inauguração da ferrovia (São Paulo Railway), que permitia a exportação do café brasileiro mais facilmente. O complexo agroexportador vai estabelecer a estruturação socioeconômica baseada na economia dos fluxos de mercadorias, neste sentido os portos e as ferrovias tornam-se elementos estratégicos de realização das mercadorias na exportação para os países industrializados. 

Continua...

Roger Coutinho

Referência:
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=168692


segunda-feira, outubro 28, 2013

Visão holística ou fracasso


A classificação das funções ambientais é realizada considerando-se as quatro principais categorias dos Recursos Naturais: água, ar/atmosfera, terra (inclui as características do solo, espaço e paisagem) e habitat (inclui os ecossistemas, flora e fauna). Para cada Recurso Natural, apresentam-se cinco grupos de funções ambientais:

Source: fonte de recursos (bens) para as atividades humanas, tais como: alimentos, matérias-primas, energia sob diferentes formas etc.;
Sink: local em que os dejetos e todo tipo de energia gerados pelas atividades humanas são depositados de forma controlada ou não. O meio ambiente os absorve, neutraliza e os recicla. Como exemplo pode se citar a dispersão e diluição das emissões atmosféricas pelo ar;
Life-Support: funções que contribuem para manter os diferentes ecossistemas e a biosfera como um todo, ou seja, servem de suporte para o desenvolvimento de comunidades humanas e não-humanas. São estas funções que tornam a Terra capaz de suportar a vida;
Scenery: converge toda forma científica, estética, recreacional, simbólica e de interesse informacional;
Site: local em que a atividade econômica é desenvolvida – inclui toda a forma de uso do solo (moradia, atividades agropecuárias etc.) e a ocupação do espaço para transporte.
A partir de cada uma destas funções ou serviços ambientais, que sabemos essenciais a manutenção da vida e a organização social e econômica da sociedade humana. Surgem os conflitos pelo uso e controle destes serviços, por parte dos diversos stakeholders (atores sociais interessados e/ou envolvidos) impactados pelo uso e disponibilidade de cada serviço ofertado pela natureza.
Estes conflitos são denominados enjeux de gouvernance (conflitos de gestão), ou seja, os conflitos que surgem no processo de tomada de decisão em relação à gestão dos recursos naturais no que tange a equidade de uso e atendimento as demandas dos diversos stakeholders.
A relevância do entendimento e discretização dos enjeux de gouvernace, por parte dos gestores é imprescindível para que as decisões relativas a um determinado recurso ambiental sejam capazes de atender de forma equânime os diversos interesses envolvidos, sejam eles os aparentemente mais nobres como as dos ambientalistas, sejam eles de pura subsistência como dos usuários diretos do recurso, sejam eles puramente econômicos e/ou políticos.
O importante é que o gestor seja capaz de pacificar os conflitos e promover o uso sustentável dos recursos, tendo em mente o seguinte enunciado proposto Ignacy Sachs que se alicerça em seis pilares: A satisfação das necessidades básicas; a solidariedade com as gerações futuras; a participação da população envolvida; a preservação dos recursos naturais e do meio ambiente em geral; a elaboração de um sistema social garantindo emprego, segurança social e respeito a outras culturas e a formulação de programas de educação. Ou de forma mais clássica e literária: “O desenvolvimento sustentável obedece ao duplo imperativo ético da solidariedade com as gerações presentes e futuras, e exige a explicitação de critérios de sustentabilidade social e ambiental e de viabilidade econômica.
Estritamente falando, apenas as soluções que consideram estes três elementos, isto é, que promovam o crescimento econômico com impactos positivos em termos sociais e ambientais, merecem a denominação de desenvolvimento”.
Ou seja, o gestor ambiental que pretende realmente promover a sustentabilidade não pode atentar apenas para os aspectos ambientais de seus projetos, sendo imprescindível para o sucesso de seus projetos, uma visão holística capaz de enxergar os aspectos sociais, culturais, econômicos, políticos e até mesmo os interesses bem particulares dos stakeholders.
Por derradeiro e sem querer ser arauto do pessimismo ou “advogado do diabo” posso afirmar que o gestor que não for apto a um olhar de 360 graus, que não for capaz de identificar as possíveis falhas metabólicas do seu projeto, está fadado ao fracasso ou a ações inócuas.

Roger Coutinho

segunda-feira, outubro 21, 2013

O porco e a galinha

O porco e a galinha resolveram fazer uma farofa, e convidaram seus amigos para prová-la. Para isso, eles precisariam se esforçar muito para que a farofa ficasse saborosa e ao gosto de todos. Sabiam que seus amigos eram muitos, e também exigentes. Para fazê-la, ambos tinham que combinar os ingredientes que seriam usados para que a farofa fosse pronta. Tinha que ficar saborosa. Então combinaram de usar farinha, óleo, sal, ovos e bacon. Também combinaram o local, o dia e a hora em que se encontrariam para fazer a farofa.
Na saída a galinha disse ao porco que cada um tinha que dar o melhor de si; para que todos os amigos ficassem satisfeitos. E que a farofa fosse inesquecível na vida de cada um.

Chegado o dia de por a mão na massa, o porco perguntou à galinha:

_Então, o que você trouxe para fazer a farofa? Muito prevenida a galinha respondeu:
_Eu trouxe o óleo, a farinha e os ovos_que eu mesma porei.
E vendo a galinha que o porco chegara sem trazer nada do que haviam combinado, disse-lhe:
_Vejo que você não trouxe nada. Contudo o porco retrucou.
_Impressão sua (...). E continuou dizendo:
_Apesar de você ter trazido quase tudo, e ainda pôr você mesma os ovos a serem usados na mistura, resolvi seguir seu exemplo e dar o melhor de mim. Ou seja, será eu quem dará aquilo que fará a farofa ficar perfeita.
Desconfiada e sem entender nada, a galinha logo perguntou:
_O que de tão importante você vai dar? E o porco respondeu-lhe imediatamente:
_Minha vida.
_Sua vida? Como assim? Bravejou a galinha. E o porco por sua vez explicou-lhe pausadamente:
_Já que você mesma porá os ovos, estou disposto a morrer para que todos saboreiem a farofa com o meu bacon. Por isso darei minha vida para que tudo saia perfeito; e que nossa farofa seja a melhor que eles provaram em suas vidas.
A galinha, outrora preocupada, e pensando que estava mais comprometida com o evento, ficou envergonhada ao ver que o porco dera a mais importante contribuição, sacrificando-se em prol de todos.
Você deve estar achando esta estória, que é fictícia, bastante esdrúxula. Não? Mas apesar de ela não ser real, podemos tirar de seu contexto uma bela lição.
No mundo atual, em que o tema conservacionista está em voga, em contraponto do desenvolvimento econômico - ou vice-versa (...), incluindo a força do capital, sobrestando as regras básicas do interesse público e manipulando o sistema em favor de si, é importante falar daqueles que dão a própria carne - deixando de lado suas necessidades e interesses - em prol de uma coletividade. Estes ícones muitas vezes relegaram-se ao segundo plano para, em raras vezes, cantar vitórias sobre os interesses dominantes. Foram apaixonados pela causa.
Ninguém abre mão de seu conforto. Isto é certo. Ninguém se sacrifica para chamar atenção dos outros para algo grave que compromete nossa sobrevivência. Sacrifica? Seria porque ninguém se importa com aquilo que não acontece consigo mesmo? Nossa espécie não é tão altruísta quanto pensamos... É verdade! Ou seria mesmo instinto de sobrevivência? Acontece que hoje em dia os seres humanos só se preocupam em estabilidade financeira e no futuro incerto desconstruído pelas incertezas de uma sociedade altamente insustentável e desigual. Não há parcimônia com as coisas que consomem. Não sabem de onde vem e nem para onde vão; ou, como são produzidas e o custo para a natureza. Somente alguns se importam com a romântica querela ambientalista que se fundou no mundo há décadas.
Chico Mendes e Dorothy Stang são raros exemplos de cidadãos que deram a vida pela natureza e àqueles que dela subtraem de forma rústica, a matéria-prima de seu sustento. De maneira antagônica, os grupos ambientalistas Greenpeace, WWF, Renctas, entre tantos outros que podemos enumerar, também prestam um grande serviço à sociedade quando bravatam de forma inexorável pela preservação da natureza e pela qualidade de vida da população mundial. Defendem heroicamente suas idéias, mas infelizmente não dão suas vidas por elas. E isso é paradoxal.
Não estou pedindo para ninguém morrer pelos outros. Contudo, vejo que o entusiasmo dos grupos ambientalistas das décadas de 70, 80 e 90 fazia com que a causa ganhasse expressão e notoriedade. Era diferente. Tinha gana, vontade... Ninguém morria, mas sei que muitos estavam prontos para isso se fosse necessário. Pena que o entusiasmo acabou, dando lugar a pseudolutas e eco-eruditos numa época em que a vaidade e os muitos dólares conduzem a cantata.
Não é legal nos dias atuais chamar alguém de "porco" ou "galinha". Conota mal, eu sei (...). Podemos até responder por isso. Mas, no contexto da história, podemos sim apontar muitos "porcos" e "galinhas" por aí. Não acha? Convido-os à reflexão.
Na verdade, às vezes acho que todos somos "galinhas". "Porcos" são raros!

Colaborador voluntário: 
Carlos Henrique Precioso

domingo, outubro 13, 2013

O manguezal da Ilha da Carapeba

Ao passo que a população do planeta cresce em direção aos oito bilhões de habitantes, e a natureza começa a manifestar seu esgotamento, sinalizando mudanças climáticas e escassez de insumos básicos a manutenção da vida. Cabe refletir sobre as mudanças pelas quais passamos nos últimos séculos, desde que Adam Smith escreveu a Riqueza das Nações, em 1776, e esboçou as bases do sistema econômico que hoje denominamos Capitalismo. Sistema este que pretendia elevar substancialmente a produtividade econômica, através do uso eficaz dos três componentes básicos da produção econômica, o capital (recursos financeiros), a terra (recursos naturais), e o trabalho (recursos humanos), e pretendia dispersar seus ganhos entre os atores do sistema. Na prática não foi o que aconteceu, o Capitalismo a e Revolução Industrial, criaram uma classe de abastados, industriais, enquanto abandonava a própria sorte, milhões de trabalhadores mal pagos, e vivendo no limite da subsistência. Realidade que ainda não foi totalmente transformada em pleno século XXI, mesmo com todo o processo de organização sindical e todas as leis de proteção ao trabalhador. Quanto à natureza, só recentemente passou a fazer parte dos debates capitalistas, passando a ser vista como elemento fundamental à manutenção do sistema. 
Desta forma, o tradicional objetivo dos gestores públicos, ou seja, dos responsáveis pelas políticas econômicas dos países, que dantes só precisavam gerir os conflitos sociais, gerados pela luta entre a classe de trabalhadores e os capitalistas, agora necessitam incorporar em suas estratégias de gestão, a gestão do capital natural, como forma de garantir não só a criação de riquezas para a nação, mas como meio de sustentar esta riqueza para as gerações futuras.
Assim cabe refletir sobre momento de grande transformação, pelo qual passa a região Norte Fluminense, em especial a faixa litorânea compreendida pelos Municípios de São João Barra, Campos dos Goytacazes, e Quissamã, tendo em vista os vultosos empreendimentos que ora se instalam nesta região. Em São João da Barra, encontra-se em processo de implementação a mega obra do Porto do Açu, que terá como uma das suas atividades principais, o escoamento da produção de minério de ferro, trazida até este por um minérioduto, em Campos, na Praia do Farol de São Thomé, será construídos um aeroporto, e Quissamã receberá em suas terras a instalação de um estaleiro e porto de apoio off-shore, sendo este empreendimento localizado na fronteira com Campos dos Goytacazes, mais precisamente às margens do Canal da Flechas, e a uma pequena distância do Manguezal da Ilha da Carapeba.
Neste ínterim muitos declaram que o desenvolvimento tão esperado, e tão desejado, enfim nos alcançou, pois empreendimentos desta estirpe são capazes de alavancar toda uma cadeia produtiva, e portando aptos a promover um grande boom de desenvolvimentista, e uma verdadeira metamorfose nas estruturas econômicas, sociais e ambientais da região.
 Neste contexto temporal, cabe-nos refletir sobre as estratégias a serem impetradas como medidas mitigadoras dos impactos negativos, advindos deste processo de transformação pelo qual passaremos inevitavelmente.
Partindo destas premissas, torna-se de suma importância da criação de uma UC (Unidade de Conservação) no manguezal da Ilha da Carapeba, tendo em vista a sua localização e proximidade com empreendimentos de elevado impacto ambiental.
Cabe também citar que a área do manguezal em epigrafe, trata-se de um dos últimos remanescentes deste ecossistema no município, sendo considerada como área de preservação natural, na proposta de macrozoneamento do Plano Diretor do Município de Campos dos Goytacazes.
Além do supra exporto, os manguezais são ecossistemas de grande relevância ecológica, tais como:

Proteção da linha da costa – a flora dos manguezais atua como barreira contra a erosão promovida pelas marés e ondas, bem como pelos fortes ventos costeiros;
Retenção de sedimentos carreados pelos rios – tendo em vista a reduzida energia hidrodinâmica das zonas de manguezal, os grânulos precipitam-se se agregando ao substrato orgânico do manguezal, possibilitando assim a propagação e sustentação da flora local;
Ação depuradora – este ecossistema atua como uma espécie de depurador, filtro biológico, capaz de reter partículas tóxicas (metais pesados) através do trabalho dos micro-organismos existentes em seu leito lodoso;
Área de concentração de nutrientes – devido a sua localização em zonas de estuário, recebendo águas dos rios e do mar, ricas em nutrientes, este ecossistema é altamente produtivo, sendo um grande contribuinte para a economia natural, tanto dos rios quantos dos mares;
Renovação da biomassa costeira – tendo em vista suas características, tais como águas mansas, lamina d’água tênue, e rica em nutrientes. Possui as condições ideais para a reprodução e desenvolvimento de diversas espécies, sendo visto como o verdadeiro berçário da fauna aquática;
Área de alimentação, abrigo, nidificação e repouso de aves – também serve com área de repouso e nidificação de aves, endêmicas e migratórias, contribuindo assim para biodiversidade;
Insumos para indústria química e farmacêutica – devido à elevada quantidade de matéria orgânica e sedimentos inorgânicos, aliados a inúmeros processos biogeoquímicos promovidos pela rica fauna microbiana dos manguezais, estes ecossistemas também são fornecedores de insumos especiais para a indústria químico-farmacêutica.  

Roger Coutinho

sexta-feira, setembro 27, 2013

Uma nova teia

Se atentarmos para os acontecimentos recentes, e todos os problemas que afligem a nossa sociedade, inflação e desemprego, crise de energética, pandemias, colapso do sistema de assistência à saúde, drogas, violência, poluição e desastres ambientais, guerras, totalitarismo, corrupção, e o destroçamento da estrutura mais básica da sociedade, a família.
Todas estas facetas nefastas do nosso contexto econômico-social, não passam tal qual defende Capra, de uma profunda crise de percepção e uma total inversão de valores, onde o certo é errado e o errado virou prática.
Esta crise ainda segundo Capra esta enraizada em uma visão obsoleta da realidade, visão esta baseada em conceitos cartesianos, incapazes de entender o todo. Esta visão tenta resolver os problemas combatendo seus efeitos e não suas causas. Por exemplo, combater problemas cardíacos com cirurgias e drogas cada vez mais caras ao invés de prover a reeducação alimentar da população.
Necessitamos de uma nova visão de mundo, uma visão integrativa e holística, que nos faça entender que não somos um ser isolado, mais um componente de um todo, que só pode ser harmônico, se cada elemento do sistema primar pela sublimação das relações e interconexões entre os homens e entre este e a natureza.
 Em últimas palavras necessitamos não de uma nova teoria sobre a “Teia da Vida*”, mas de uma nova teia.

Roger Coutinho

* http://www.fritjofcapra.net/bibliography.html

sábado, setembro 21, 2013

Arborização Urbana

Um fator ambiental de suma importância, mas negligenciado no desenvolvimento e no planejamento de áreas urbanas, é a cobertura vegetal. A cobertura vegetal difere da terra, do ar e da água, pois não é uma necessidade óbvia na cena urbana. A cobertura vegetal, em oposição a outros recursos físicos de áreas urbanas, é entendida pela maioria dos habitantes como uma função de satisfação psicológica e cultural do que como função física essencial. 
A cobertura vegetal desempenha relevante papel quanto a qualidade ambiental das áreas urbanas, sendo vários os benefícios que esta pode trazer para o ser humano, tais como: estabilização de superfícies por meio da fixação do solo pelas raízes; obstáculo contra o vento; proteção da qualidade da água, devido sua capacidade de conter o carreamento de  substâncias poluentes para os rios; redução de particulados em suspensão, agindo como uma espécie de filtro de ar; promoção do equilíbrio do índice de umidade relativa do ar; como barreira acústica; proteção das nascentes e dos mananciais; abrigo a fauna; organização e composição de espaços no desenvolvimento das atividades humanas; elemento de valorização estética; estabilização da temperatura do ar; segurança das calçadas como acompanhamento viário; aumento do contato da população com a natureza, colaborando com a saúde psíquica; recreação; contraste de texturas; árvores decíduas que lembram ao homem as mudanças de estação; quebra da monotonia urbana; possibilidade de consumo de frutas frescas e etc. 
Estima-se que um índice de cobertura vegetal na ordem de 30% seja o recomendável para a promoção de um adequado balanço térmico em áreas urbanas, sendo que áreas com índice inferior a 5% criam um microclima que se assemelha a um deserto. Nucci (2008) propõem como forma de planejar o processo de urbanização e ordenamento urbano, o agrupamento dos tipos de solo das áreas urbanas em sete classes, conforme segue:
Classe 1 – densa, com construções;
Classe 2 – densa, construções com limitada quantidade de áreas verdes;
Classe 3 – área muito impermeabilizada ou compactada com construções ocasionais (áreas de frete, carregamento, instalações portuárias , áreas de entreposto, todas sem vegetação);
Classe 4 – construções abertas com alta proporção de áreas verdes (mesma proporção áreas verdes e construídas – construções com jardins internos);
Classe 5 – superfícies impermeabilizadas em áreas verdes (amplas avenidas em parques ou bordas dos parques);
Classe 6 – áreas verdes em sua grande parte cobertas por florestas (árvores arrumadas de modo denso ou disperso em camadas de arbustos);
Classe 7 – em sua maior extensão formada por áreas verdes abertas (amplos gramados ou terras desocupadas dentro de parques ou bordas destes).
Sabe-se que ocorre uma redução progressiva da temperatura e um aumento da umidade relativa do ar se percorrermos da área classe 1 para 7, e também há uma redução do estresse na mesma ordem.

Roger Coutinho

Fonte: NUCCI, João Carlos. Qualidade ambiental e adensamento urbano: um estudo de ecologia e planejamento da paisagem aplicado ao distrito de Santa Cecília. Curitiba: Humanitas/FFLCH/USP, 2008

sexta-feira, setembro 20, 2013

Rompendo paradigmas

Em meados do século XVI Copérnico escreveu “De revolutionibus orbium coelestium”, onde propunha uma nova teoria em contestação ao geocentrismo, propondo a ideia que a terra é que girava em torno do sol (Heliocentrismo). Fato que levou a uma grande contenda entre os cientistas e teólogos de então. Que hoje sabemos correta e que levou a uma mudança radical e ao rompimento que um paradigma fortemente enraizado.
Atualmente necessitamos que igual ruptura no que tange ao pensamento econômico em voga, pois a grande discussão da nossa era é a economia gira em torno do ambiente, ou o ambiente giro em torno da economia.
Defendo que não se trata de mudar o foco, mas sim de usar o principio mais básico da economia no trata das questões ambientais. O princípio que reza que, os recursos são escassos e as necessidades são infinitas, por este motivo devemos usá-los com parcimônia, para que nossas necessidades possam continuar sendo satisfeitas.
A final se retomarmos a essência da ciência econômica, que possui em sua grafia o seguinte significado: A palavra “economia” deriva da junção dos termos gregos “oikos” (casa) e “nomos” (costume, lei) resultando em “regras ou administração da casa, do lar”. Teremos uma ciência que busca gerir a nossa casa, a terra. E este não é o conceito de gestão ambiental.
Assim defendo que não há motivo para mantermos em voga o conceito paradigmático ambiente versus economia, temos sim é que pacificar os múltiplos interesses humanos, e desta forma realmente promovermos a sustentabilidade. 
Ou nas palavras de Ignacy Sachs: “O desenvolvimento sustentável obedece ao duplo imperativo ético da solidariedade com as gerações presentes e futuras, e exige a explicitação de critérios de SUSTENTABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL E DE VIABILIDADE ECONÔMICA. Estritamente falando, apenas as soluções que consideram estes três elementos, isto é, que promovam o crescimento econômico com impactos positivos em termos sociais e ambientais, merecem a denominação de desenvolvimento”.

Roger Coutinho

segunda-feira, setembro 16, 2013

Gestão Ambiental

Os avanços ocorridos na área ambiental quanto aos instrumentos técnicos, políticos e legais, que veem construindo ao longo dos anos a estruturada política ambiental, são inegáveis e inquestionáveis. Nos últimos anos, saltos quantitativos foram dados, em especial no que se refere à consolidação de práticas e formulação de diretrizes que tratam a questão ambiental de forma holística.
No âmbito das organizações o retorno do investimento, antes, entendido simplesmente como lucro e enriquecimento de seus acionistas, de agora em diante, passa, fundamentalmente, pela contribuição e criação de um mundo sustentável, ou poderíamos dizer da sustentabilidade dos recursos naturais, que agora entendemos com finitos e escassos.
Estes processos de produção de conhecimento cristalizado práticas positivas e pró-ativas, que sinalizam o germinar de procedimentos e de experimentos que comprovam que o gerenciamento ambiental passa a ser um fator estratégico que a alta administração das organizações deve analisar.
Como exemplo análogo, temos: Se mantivermos o motor do nosso carro regulado, no intuito de atender a legislação ambiental (no que tange a emissão de gases e particulados), também teremos economizado de combustível, e nosso custo de transporte será reduzido. Da mesma forma se uma organização aperfeiçoa o uso de insumos e mitiga a perdas residuais. Esta organização maximiza seu lucro pela redução dos seus custos de produção. Simples assim.  

Roger Coutinho

Gestão

O termo Gestão, segundo o dicionário Aurélio Buarque de Hollanda, quer dizer, “ato de gerir; gerência, administração”. Sistema de Gestão, sob o ponto de vista empresarial, significa um modelo operacional que uma determinada organização adota para geri-la, não importando neste caso o seu porte ou seguimento. Toda e qualquer organização deve possuir um sistema de gestão, pois, do contrário, teria a sua própria existência comprometida.
É do interesse das organizações aparelhar-se quanto à gestão de diferentes matérias, como gestão da qualidade, gestão do meio ambiente, gestão da responsabilidade social, gestão da segurança e da saúde ocupacional, etc.
A organização desses padrões em sistemas de gestão que assegurem a previsibilidade desejada é sempre vantajosa para qualquer atividade, pois sua ausência ou ineficácia pode acarretar o aparecimento de (d)efeitos indesejáveis que trazem fortes impactos adversos aos resultados do “negócio”.

Roger Coutinho

quinta-feira, setembro 12, 2013

Você sabia?

Você sabia que em 1869, Ernest Haeckel propôs o vocábulo “ecologia” para os estudos das relações entre espécies e seu ambiente. Três anos depois, é criado o primeiro Parque Nacional do mundo, o de Yellowstone, nos Estados Unidos. Desde então, e principalmente após a 2ª Grande Guerra quando do crescimento desenfreado da produção industrial e do conseqüente acirramento da degradação do meio ambiente, começaram a surgir problemas de dimensões globais, que rompiam fronteiras e extrapolavam a regionalidade, como a poluição de rios e mananciais internacionais, a chuva ácida, o buraco na camada de ozônio, o efeito estufa, as ilhas de calor nos grandes centros urbanos, entre outros.
Nesse momento, percebeu-se a importância de uma reflexão mais profunda e a necessidade de um trabalho conjunto entre as nações, concentrando recursos financeiros e tecnológicos para a solução dessas questões e/ou para minimização dos impactos desses fenômenos no meio ambiente. Nesse sentido, diversas atitudes passam a ser tomadas, principalmente nos países do hemisfério norte. Algumas delas são emblemáticas, tais como a fundação em 1947, na Suíça, a UICN – União Internacional para a Conservação da Natureza, a mais antiga instituição ambientalista de que se tem registro.

Roger Coutinho

quinta-feira, setembro 05, 2013

Ecological Footprint Method

O Ecological Footprint Method é descrito como uma ferramenta que transforma o consumo de matéria-prima e a assimilação de dejetos, de um sistema econômico ou população humana, em uma área correspondente de terra ou água produtiva. Para qualquer grupo de circunstâncias específicas, como população, matéria-prima, tecnologia existente e utilizada é razoável estimar uma área equivalente de água e/ou terra. Portanto por definição, o Ecological Footprint Method é a área de ecossistema necessária para assegurar a sobrevivência de uma determinada população ou sistema.
Os países mais industrializados têm uma Pegada Ecológica superior a 6 hectares/pessoa/ano, gerando déficits globais. Isso significa que essas nações, para atender as suas necessidades de energia e materiais, apoderam-se da produção de outras nações. Poucos países são capazes de se sustentar com suas próprias terras. Argentina e Brasil são exemplos. Para manter os padrões de consumo da humanidade já se faz necessário um planeta 30% maior. Esse déficit é provocado pela degradação do capital ambiental e pela miséria de outros povos.
No contexto, é importante ter a consciência que cuidar dos recursos naturais é mesmo que cuidar da própria sobrevivência do homem. Portanto, é saber respeitar a mãe Gaia e estabelecer um liame de harmonia ao meio de tantos desejos e necessidades, ao invés de relegar ao segundo plano aquilo que aparentemente não possui importância para o nosso mercado de consum
o. Para minimizar os impactos negativos contra a natureza, e, em consequência o passivo ambiental, há a necessidade de transformar os hábitos de consumo da população e as atitudes em relação a fontes de recursos naturais, haja vista que tais comportamentos estabelecem ralações mais ou menos consultivas no modus de produção, na economia e nos gastos energéticos.

quarta-feira, agosto 28, 2013

Breves considerações sobre o Licenciamento Ambiental Municipal


O sistema de licenciamento ambiental é uma forma de intervenção do estado na atividade econômica privada, através do exercício do poder de polícia. É um procedimento administrativo vinculado, através do qual são verificadas as condições para o desenvolvimento e a operação de empreendimentos classificados como potencialmente poluidores.
De fato, é dever constitucional do Estado, em todas as suas esferas (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) proteger o meio ambiente, de acordo com o inciso VI do art. 23 da Constituição Federal (CF-88). Trata-se, portanto de competência executiva (administrativa), comum entre todas as entidades estatais, e obviamente os entes municipais.
Nem podia ser diferente, visto que a Constituição Federal de 1988 foi a primeira a relacionar o meio ambiente em capítulo próprio, além de atribuir a todos, tanto particulares como o Poder Público, em todas as suas esferas, a responsabilidade pela sua defesa e preservação, ao dispor no seu art. 225 que "todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações".
Neste sentido, e mesmo antes da promulgação da CF em 1988, o licenciamento ambiental já era um dos instrumentos de que dispunha o Poder Público para fazer cumprir os princípios da Política Nacional do Meio Ambiente, de acordo com o art. 9º, inciso IV, da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981.
A instrumentalidade deste instituto é evidente: através dele, o Poder Público estabelece condições e limites para o exercício de determinadas atividades, permitindo somente aquelas que tenham impacto ambiental reduzido ou dentro de padrões admitidos. Neste caso, e considerando que praticamente qualquer atividade econômica terá algum efeito deletério sobre o meio ambiente, apontam-se ações com vistas a mitigar os efeitos negativos do empreendimento poluidor, compatibilizando a proteção ao
meio ambiente com o desenvolvimento econômico, garantindo assim a almejada sustentabilidade.
Neste ínterim segundo Fernandes (2010)¹  no atual sistema federativo da república brasileira, os municípios foram equiparados aos demais entes federativos, passando a ter as mesmas prerrogativas dos Estados-membros e da União, tornando-se um ente autônomo da federação. Concluímos então que a partir do advento da Constituição Federal de 1988, os municípios adquiriram a plena autonomia, e o poder-dever de se autogovernar, autoadministrar e auto-organizar.

Roger Coutinho

¹FERNANDES, Jeferson Nogueira. Licenciamento Ambiental Municipal: Um instrumento local de efetivação de Direitos Fundamentais. Brasil 1988-2008. Curitiba: Juruá, 2010. 254p.

segunda-feira, agosto 26, 2013

Água, dona da vida.

A preocupação com a disponibilidade de água remonta aos primórdios da civilização humana. Diversos códigos prescreviam duras penalidades a quem danificasse qualquer recurso hídrico, e recomendavam práticas de profilaxia e uso para garantir à incolumidade deste bem essencial a vida. Neste contexto surgiram diversos códigos, dentre estes os mais famosos são: O código de Manu - Índia; o código de Amurabi - Babilônia; o Talmud - Hebreu; e o Alcorão – Mulçumano.

No Brasil, embora somente nos últimos anos do século passado, os recursos hídricos tenham despertado maior atenção da esfera governamental, desde a Constituição do Império, em 1984, o tema já era tratado, tendo em vista sua importância para a saúde e para a economia nacional. Cabe também ressaltar que surgimento do primeiro órgão de gestão de recursos hídricos, remonta a 1920, com a criação da Comissão de Estudos de Forças Hidráulicas, do Serviço Geológico e Mineralógico do Ministério da Agricultura. Embora conforme citado as normas e leis a respeito do uso dos recursos hídricos, já nos acompanhem desde longa data, estas permaneceram inócuas até bem pouco tempo, tendo em vista principalmente a ideia de infinitude deste recurso.

Este conceito que considerava a água com “renovável”, abundante e “infinita” motivou um uso sem maiores cuidados, mas a duras penas, mais recentemente, constatou-se a finitude deste recurso. Levando a sociedade e os gestores públicos a preocuparem-se não só com a qualidade da água disponível, mas também com a quantidade necessária ao atendimento pleno das diversas demandas.

Mister ressaltar que a utilização da água nas inúmeras atividades humanas impõe aos recursos hídricos os mais variados impactos, alguns com derivação, como o abastecimento urbano, o industrial, a irrigação, e a aquicultura, outros sem derivação, como a geração de energia, navegação, pesca, recreação, e assimilação de efluentes industriais e esgotos domésticos.

Neste novo lócus a água passa de recurso natural abundante e barata para um bem escasso e de alto valor econômico, e com base nesta nova ótica surgem novas normas, conceitos e bases legais para a gestão deste bem natural. Dentre estas podemos destacar: O capitulo 18 da Agenda 21, elaborada durante a Rio 92, denominado “Proteção da qualidade e do abastecimento dos recursos hídricos: aplicação de critérios integrados no desenvolvimento, manejo e uso dos recursos hídricos”; e a Lei 9.433/97 que lista as diretrizes da Política Nacional de Recursos Hídricos, em consonância com a Carta Magna de 1988, e define como objetivo mor “assegurar à atual e as futuras gerações a necessária disponibilidade de água em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos”.

Neste ínterim a Política Nacional de Recursos Hídricos, fundamenta-se sobre cinco pilares conceituais: A água é um de domínio público, de grande importância para o conjunto da sociedade; a água é um recurso natural limitado, e dotado de valor econômico; em caso de escassez, seu uso prioritário será o consumo humano e dessedentação de animais; a gestão deste recurso deve sempre proporcionar o uso múltiplo; a bacia hidrográfica é a unidade territorial para a implementação das políticas de gestão; e a gestão deste recurso deve basear-se em um modelo descentralizado e participativo, envolvendo o poder público, os usuários e as comunidades.

Nestas premissas, tendo em vista principalmente a questão da promoção dos usos múltiplos e gestão participativa dos recursos hídricos, surgem diversos enjuux de gouvernace devido à concorrência pelo acesso aos recursos naturais escassos. Tornando imprescindível a elaboração de modelos de gestão capazes de pacificar os conflitos pelo uso e apropriação do recurso ambiental.

Roger Coutinho

domingo, agosto 18, 2013

Estamos salvando o planeta para quem?

Sempre que iniciarmos um projeto de conservação ambiental é imprescindível ter em mente duas diretrizes indissociáveis, a nossa CARTA MAGNA, que dita: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, BEM DE USO comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. E as três dimensões da SUSTENTABILIDADE  Ignacy Sachs, a social, a  econômica, a ecológica( ou cinco se acrescermos ainda  a espacial, e a cultural). Pois se assim não for, conforme declara o mesmo autor: “O desenvolvimento sustentável obedece ao duplo imperativo ético da solidariedade com as gerações presentes e futuras, e exige a explicitação de critérios de sustentabilidade social e ambiental e de viabilidade econômica. Estritamente falando, apenas as soluções que consideram estes três elementos, isto é, que promovam o crescimento econômico com impactos positivos em termos sociais e ambientais, merecem a denominação de desenvolvimento”. Não pode ser denominado nem mesmo DESENVOLVIMENTO, quanto mais SUSTENTÁVEL.
Assim para os companheiros de luta, deixo a questão: Se na busca da SUSTENTABILIDADE dissociarmos os seres humanos do ambiente, estaremos salvando o planeta para quem?

Roger Coutinho

quinta-feira, agosto 15, 2013

Ecologia o novo mote.

Falar em meio ambiente, em ecologia, tornou-se assunto comum, todos falam, porém poucos sabem o que falam. Não estou aqui querendo tornar o trato das questões ambientais algo sagrado, que se pode ser discutido pelo alto clero ambientalista. 
Todavia é importante entender a questão com mais proficiência, para que o assunto não volte a ser visto com coisa de riponga, de intelectual de esquerda, fiscal da natureza (se é que para as grandes massas esta visão algum dia mudou). Que fique claro que ecologia não é filosofia de boteco, é ciência. 
De fato o pensamento ecológico é o novo paradigma, que gradativamente esta substituindo o pensamento capitalista-cartesiano.
Por definição este novo paradigma intitulado Ecologia Profunda, foi proposta pelo filosofo norueguês Arne Naess (1973) sendo este conceito posteriormente adotado por diversos pensadores como o novo paradigma, voltado à sustentabilidade da vida.
Mas recentemente, Capra adota este conceito e esclarece: “O novo paradigma pode ser chamado de uma visão de mundo holística, que concebe o mundo como um todo integrado, e não como uma coleção de partes dissociadas. Pode também ser denominada visão ecológica, se o termo “ecológica” for empregado num sentido muito mais amplo e mais profundo que o usual. A percepção ecológica profunda reconhece a interdependência fundamental de todos os fenômenos, e o fato que, enquanto indivíduos e sociedade estamos todos conectados aos processos cíclicos da natureza (e, em última análise, somos dependentes desses processos). (...) A ecologia rasa é antropocêntrica, ou centralizada no ser humano. Ele vê os seres humanos como situados acima ou fora da natureza, como a fonte de todos os valores, e atribui apenas um valor instrumental, ou de “uso”, à natureza. A ecologia profunda não separa seres humanos – ou qualquer outra coisa – do meio ambiente natural. Ela vê o mundo, não como uma coleção de objetos isolados, mas como uma rede de fenômenos que estão fundamentalmente interconectados e interdependentes. (...) Em última análise, a percepção da ecologia profunda é percepção espiritual ou religiosa. Quando a concepção de espírito humano é entendida como o modo de consciência na qual o indivíduo tem uma sensação de pertinência, de conexidade com o cosmos como um todo, torna-se claro que a percepção ecológica é espiritual na sua essência mais profunda.”

Roger Coutinho

segunda-feira, agosto 12, 2013

A vida é rara

Independente de nossas crenças. Sejamos ateus, religiosos, criacionistas, evolucionistas, capitalistas ou comunistas, não importa. Não importa que nossa existência seja uma mera singularidade, desprovida de qualquer planejamento ou propósito, ou que sejamos fruto da grande obra do supremo demiurgo. O fato é que a vida tal qual conhecemos é rara, a grande aldeia cósmica, não é densamente povoada, de fato o universo é um grande vazio. E, portanto temos a obrigação de preservá-la, pois se somos apenas um raro acaso, um pequeno ponto de vida na imensidão do nada, quando aqui não houver mais suporte à vida, deixaremos de existir, e o universo nem perceberá. Porém se acreditamos que fazemos parte de um grande plano, nossa responsabilidade é ainda maior, pois se assim for, a vida concedida a este pequeno ponto de poeira do cosmo, é uma grande dádiva. Então cuidar do meio ambiente, reverenciar a grande mãe Gaia, é acima de tudo uma oração de agradecimento ao Criador. 
Por derradeiro, lembrem-se da alegoria bíblica do Jardim do Éden, e entendam que se cedermos a tentações hedonistas do mundo. Seremos novamente (realmente) expulsos (extintos) deste pequeno e raro éden do universo.

Roger Coutinho

sábado, agosto 10, 2013

Enjeux de gouvernance

Os enjeux de gouvernance servem para demonstrar os desequilíbrios existentes entre as funções ambientais (source-oferta; sink-deputador; site-local; scenery-paisagem; lifesupport-suporte a vida) manifestados sob a forma de conflitos entre os stakeholders. Os enjeux de gouvernance surgem devido à concorrência pelo acesso às funções ambientais raras e resultam da excitação da força e contestação de poder entre os stakeholders, bem como de seus interesses econômicos e valores divergentes.
Neste ínterim um stakeholders portador enjeux é um individuo ou grupo social que possui objetivos e interesses particulares. Estes indivíduos ou grupos não defendem os interesses gerais, nem os interesses de outros portadores de enjeux, bem como não é de seu interesse a promoção do equilíbrio entre os diversos portadores de enjeux. Estes portadores de enjeux podem ser consumidores, promotores, industriais, ambientalistas, agricultores, ONGs, governo, etc.
Os enjeux de gouvernance podem ser definidos genericamente em seis tipos distintos:
• Preço e Quantidade – referem-se à disputa pelo uso do Recurso Hídrico em condições privilegiadas, tratando-se de preço e quantidade, bem como demonstra o impacto do preço da água nas zonas urbanas;
• Segregação dos usos e usuários – a degradação qualitativa dos Recursos Hídricos pode promover a segregação de usos e usuários em termos de necessidades qualitativas, ou seja, a degradação promovida por um usuário a montante pode comprometer a disponibilidade do recurso, na qualidade desejada pelo usuário à jusante;
• Diferenciação de status social – este enjeux surge entre os stakeholders que possuem acesso direto ao Recurso Hídrico e demandam necessidades em termos qualitativos diferentes. Não sendo apenas uma segregação quantidade/qualidade, mas a identidade da coletividade, além da noção de patrimônio, de seguridade econômica local e de autonomia que estão em jogo;
• Paisagem/Qualidade dos ecossistemas como componente do desenvolvimento sustentável – a poluição dos Recursos Hídricos promovem modificações ecológicas desfavoráveis do ponto de vista do uso turístico do recurso;
• Processo político: relação de força e modo de decisão – este enjeux esta relacionado à governança dos Recursos Hídricos;
• Grau de artificialização – trata-se do quanto à produção agrícola depende do uso de agrotóxicos, e qual a quantidade de água reciclada é utilizada para substituir as fontes locais de abastecimento das comunidades e indústrias. Este termo define o status da água como capital natural/cultivado/produzido e sustenta a ideia de patrimônio e de integridade do ecossistema.

Roger Coutinho

sexta-feira, agosto 09, 2013

A equivocada percepção das normas ambientais.

Infelizmente o meio ambiente ainda é percebido por muitos, com um empecilho, um problema a ser resolvido. Mas se pensarmos bem não é esta a verdade. Por exemplo:
Quando regulamos o motor do carro, para melhor o desempenho e economizarmos combustível, lucramos com economia e com o ar mais puro. Quando uma fabrica aperfeiçoa seu processo produtivo para gerar menos resíduos e aproveitar melhor sua matéria prima, ela lucra com mais produto a partir de menos insumos e a redução de custos de remedição dos resíduos. 
Então fica fácil entender que cuidar do meio ambiente (gestão ambiental) é um bom negócio.
E para a administração publica qual é o lucro ou economia. Quando a administração publica cumpre seu dever constitucional de manter o ambiente sadio e equilibrado, ela lucra com a saúde da população, com o turismo, com o bem estar. Mas sei que isso é muito poético.
Então vamos pensar como capitalista, que somos. Um dos motivos para os empresários e políticos ainda considerarem o meio ambiente como um problema, é o nó górdio do licenciamento, já que sabemos que se trata de um processo complexo e infelizmente moroso em demasia, não por sua complexidade, mas sim pela falta de estrutura dos órgãos ambientais que concentram um volume enorme de processo de licenciamento.
Todavia a CF 88 criou a possibilidade de descentralização do licenciamento, quando a alçou os municípios a categoria de ente federativo. E mais recentemente a Lei Complementar 140, de certa forma ratificou esta competência (atribuição). 
Embora em primeira analise pareça um presente de grego para os municípios com todas as suas dificuldades estruturais e financeiras. Pensando a luz da boa estratégia capitalista, digo competitiva. Os municípios que primeiro assumirem esta responsabilidade terão um diferencial no seu poder de atrair novos empreendimentos, tendo em vista, que embora não ocorra uma redução na complexidade do procedimento de licenciamento, ocorrerá uma redução significativa na demanda, se a compararmos com as demandas de um órgão federal ou estadual, e consequentemente no tempo. E ai vale a máxima capitalista “Tempo é dinheiro”.

Roger Coutinho

Receitas de bolo não fazem um Chef de Cuisine.

Gosto de fazer analogias pois considero uma ótima de maneira de expor de forma clara e simples ideias e conceitos nem tão claros e simples.
Como gosto de cozinhar, e poderia dizer este é meu hobby. Vou usar esta nobre profissão como exemplo para todas as outras.

O senso comum define que cozinhar é algo simples e como uma boa receita todos é exímios cozinheiros. Ainda mais nos dias atuais com a internet.

Nisto encontra-se a questão crucial de difere os profissionais, Chef de cuisine, dos repetidores de receitas. 
Ninguém se torna um profissional de primeira linha, copiando receitas e manuais, é necessário ir à fonte, conhecer cada ingrediente, suas texturas e sabores. E é claro a partir deste conhecimento dar seu toque de mestre, digo de Chef.
Assim amigos, lembrem-se que a internet é uma fonte de informações, mas só o debruçar solitário sobre problemas, somado a um arcabouço teórico consistente é capaz de forjar um profissional.
Então para aqueles que almejam um dia ser um Chef, só há um caminho o estudo sério. Pois na vida real não há nenhum ratinho gourmet  para guiá-los.
Um bom dia a todos, e sucesso.

Roger Coutinho

quarta-feira, agosto 07, 2013

Projeto?

É comum escutarmos muito estas palavras: projeto; e estratégia. Todavia é importante e estratégico, ter clareza na definição de cada uma dessas palavras, digo conceitos. 
A definição de projeto segundo o PMI (Project Management Institute) é: “Conjunto de atividades temporárias, realizadas em grupo, destinadas a produzir um produto, serviço ou resultado único. Temporário no sentido de que tem um início e fim definidos no tempo, e, por isso, um escopo e recursos definidos. Único no sentido de que não se trata de uma operação de rotina, mas um conjunto específico de operações destinadas a atingir um objetivo em particular.” Assim é importante entender que para ser ter um projeto, é imprescindível que se tenha um objetivo especifico e único.
Quanto a estratégia esta possui sua origem na palavra grega stratègós (grego antigo), onde temos stratos, "exército", e ago, "liderança" ou "comando" tendo significado inicialmente "a arte do general", ou a “Arte da Guerra (Sun Tzu).
Assim com base nestas definições podemos definir que para alcançamos nossos objetivos, temos que primeiramente especificá-lo, traçar todas as etapas que devemos transpor para alcançá-lo, e quando queremos ou temos que alcançá-lo, ou seja, elaborar nosso projeto. Todavia é imprescindível ainda, que definamos a nossa estratégia, ou nossa arte de general, nosso método de liderar/gerenciar este projeto. Lembrando sempre, que o resultado da empreitada, depende da liderança do general, e da capacidade dos soldados. Pois a única maneira de garantir o sucesso/vitória, e através da liderança eficaz somada a uma equipe capaz. Afinal um projeto não é uma simples ação entre amigos.

Roger Coutinho

A sabedoria "ecológica" que perdemos.

As idéias de planejamento e gestão dos recursos naturais remetem as antigas civilizações Asiáticas, sendo notória a relação harmoniosa destas civilizações, com regime de cheias e vazantes dos rios e os ciclos da colheita. Relação esta mantida através de um complexo e intricado sistema centralizado de gestão, que pode ser entendido como o embrião dos atuais sistemas de administração, e quiçá do planejamento e gestão ambiental.
Embora estes conceitos sejam mais antigos que a moderna civilização capitalista, o crescimento vertiginoso da espécie humana e o aumento das demandas por insumos naturais,
pela dominação da terra, e pela ocupação de toda a face do planeta, levaram a humanidade a desprezar a sábias lições do passado. Lições que nos levam ao filosofo Plantão e sua famosas
cartas a Tímeus e Critias, e a mítica Atlântida que sucumbiu devido a sua grande capacidade de “domínio” sobre a natureza.
Neste ínterim a crise ambiental que se configura no horizonte da civilização terrestre tem levado a sociedade humana e a reavaliar conceitos e a buscar alternativas sustentáveis, tanto sob o aspecto ambiental, quando sob o econômico, para a manutenção dos sistemas que garantem a sobrevivência da civilização.
Assim sendo, encontrar meios de garantir a manutenção econômica do sistema em voga, bem como manter incólume ou sob uso racional os recursos naturais é a condição sine qua non para livrar-nos de um destino cataclísmico, previsto não por profetas e visionários, mas sim pela ciência.

Roger Coutinho

terça-feira, agosto 06, 2013

"A Teia da Vida"

A tecnologia da informação criou possibilidades antes impensadas de comunicação, e de interação entre os indivíduos, e torna a hipótese de uma consciência coletiva, conclamada por Jung, uma "realidade" factível.

A palavra rede é bem antiga e vêm do latim retis que significa entrelaçamento de fios com aberturas regulares que constituem um tecido, este conceito primitivo ao longo dos tempos ganhou novos significados, passando a ser entendida como um sistema organizacional que possuía prerrogativa de responder as demandas de flexibilidade, conectividade e descentralização. Capra afirma que sempre que olhamos para a vida, olhamos para redes, a rede da vida.

Desta forma as redes estão por toda à parte, redes celulares, redes neurais artificiais, redes sociais, redes organizacionais, sociedade-rede, empresa-rede, marketing-de-rede, trabalho em rede, rede de redes. As cadeias de lojas, bancos, lanchonetes e supermercados são consideradas redes. A infra-estrutura de urbana e os serviços que suportam a sociedade contemporânea são todos apresentados como redes: as ferrovias e rodovias, o sistema de distribuição de energia elétrica, o sistema de fornecimento de água, os serviços de telecomunicações, o sistema de Segurança pública, os serviços de saúde, os postos de atendimento das várias organizações governamentais. E por derradeiro as redes de computadores, das pequenas redes de escritório aos sistemas peer-to-peer e a World Wide Web, à Internet.
Então ao pensarmos em rede, reconstruímos virtualmente (mas verdadeiramente) os elos que nos conectavam "A Teia da Vida".

Roger Coutinho