sexta-feira, setembro 27, 2013

Uma nova teia

Se atentarmos para os acontecimentos recentes, e todos os problemas que afligem a nossa sociedade, inflação e desemprego, crise de energética, pandemias, colapso do sistema de assistência à saúde, drogas, violência, poluição e desastres ambientais, guerras, totalitarismo, corrupção, e o destroçamento da estrutura mais básica da sociedade, a família.
Todas estas facetas nefastas do nosso contexto econômico-social, não passam tal qual defende Capra, de uma profunda crise de percepção e uma total inversão de valores, onde o certo é errado e o errado virou prática.
Esta crise ainda segundo Capra esta enraizada em uma visão obsoleta da realidade, visão esta baseada em conceitos cartesianos, incapazes de entender o todo. Esta visão tenta resolver os problemas combatendo seus efeitos e não suas causas. Por exemplo, combater problemas cardíacos com cirurgias e drogas cada vez mais caras ao invés de prover a reeducação alimentar da população.
Necessitamos de uma nova visão de mundo, uma visão integrativa e holística, que nos faça entender que não somos um ser isolado, mais um componente de um todo, que só pode ser harmônico, se cada elemento do sistema primar pela sublimação das relações e interconexões entre os homens e entre este e a natureza.
 Em últimas palavras necessitamos não de uma nova teoria sobre a “Teia da Vida*”, mas de uma nova teia.

Roger Coutinho

* http://www.fritjofcapra.net/bibliography.html

sábado, setembro 21, 2013

Arborização Urbana

Um fator ambiental de suma importância, mas negligenciado no desenvolvimento e no planejamento de áreas urbanas, é a cobertura vegetal. A cobertura vegetal difere da terra, do ar e da água, pois não é uma necessidade óbvia na cena urbana. A cobertura vegetal, em oposição a outros recursos físicos de áreas urbanas, é entendida pela maioria dos habitantes como uma função de satisfação psicológica e cultural do que como função física essencial. 
A cobertura vegetal desempenha relevante papel quanto a qualidade ambiental das áreas urbanas, sendo vários os benefícios que esta pode trazer para o ser humano, tais como: estabilização de superfícies por meio da fixação do solo pelas raízes; obstáculo contra o vento; proteção da qualidade da água, devido sua capacidade de conter o carreamento de  substâncias poluentes para os rios; redução de particulados em suspensão, agindo como uma espécie de filtro de ar; promoção do equilíbrio do índice de umidade relativa do ar; como barreira acústica; proteção das nascentes e dos mananciais; abrigo a fauna; organização e composição de espaços no desenvolvimento das atividades humanas; elemento de valorização estética; estabilização da temperatura do ar; segurança das calçadas como acompanhamento viário; aumento do contato da população com a natureza, colaborando com a saúde psíquica; recreação; contraste de texturas; árvores decíduas que lembram ao homem as mudanças de estação; quebra da monotonia urbana; possibilidade de consumo de frutas frescas e etc. 
Estima-se que um índice de cobertura vegetal na ordem de 30% seja o recomendável para a promoção de um adequado balanço térmico em áreas urbanas, sendo que áreas com índice inferior a 5% criam um microclima que se assemelha a um deserto. Nucci (2008) propõem como forma de planejar o processo de urbanização e ordenamento urbano, o agrupamento dos tipos de solo das áreas urbanas em sete classes, conforme segue:
Classe 1 – densa, com construções;
Classe 2 – densa, construções com limitada quantidade de áreas verdes;
Classe 3 – área muito impermeabilizada ou compactada com construções ocasionais (áreas de frete, carregamento, instalações portuárias , áreas de entreposto, todas sem vegetação);
Classe 4 – construções abertas com alta proporção de áreas verdes (mesma proporção áreas verdes e construídas – construções com jardins internos);
Classe 5 – superfícies impermeabilizadas em áreas verdes (amplas avenidas em parques ou bordas dos parques);
Classe 6 – áreas verdes em sua grande parte cobertas por florestas (árvores arrumadas de modo denso ou disperso em camadas de arbustos);
Classe 7 – em sua maior extensão formada por áreas verdes abertas (amplos gramados ou terras desocupadas dentro de parques ou bordas destes).
Sabe-se que ocorre uma redução progressiva da temperatura e um aumento da umidade relativa do ar se percorrermos da área classe 1 para 7, e também há uma redução do estresse na mesma ordem.

Roger Coutinho

Fonte: NUCCI, João Carlos. Qualidade ambiental e adensamento urbano: um estudo de ecologia e planejamento da paisagem aplicado ao distrito de Santa Cecília. Curitiba: Humanitas/FFLCH/USP, 2008

sexta-feira, setembro 20, 2013

Rompendo paradigmas

Em meados do século XVI Copérnico escreveu “De revolutionibus orbium coelestium”, onde propunha uma nova teoria em contestação ao geocentrismo, propondo a ideia que a terra é que girava em torno do sol (Heliocentrismo). Fato que levou a uma grande contenda entre os cientistas e teólogos de então. Que hoje sabemos correta e que levou a uma mudança radical e ao rompimento que um paradigma fortemente enraizado.
Atualmente necessitamos que igual ruptura no que tange ao pensamento econômico em voga, pois a grande discussão da nossa era é a economia gira em torno do ambiente, ou o ambiente giro em torno da economia.
Defendo que não se trata de mudar o foco, mas sim de usar o principio mais básico da economia no trata das questões ambientais. O princípio que reza que, os recursos são escassos e as necessidades são infinitas, por este motivo devemos usá-los com parcimônia, para que nossas necessidades possam continuar sendo satisfeitas.
A final se retomarmos a essência da ciência econômica, que possui em sua grafia o seguinte significado: A palavra “economia” deriva da junção dos termos gregos “oikos” (casa) e “nomos” (costume, lei) resultando em “regras ou administração da casa, do lar”. Teremos uma ciência que busca gerir a nossa casa, a terra. E este não é o conceito de gestão ambiental.
Assim defendo que não há motivo para mantermos em voga o conceito paradigmático ambiente versus economia, temos sim é que pacificar os múltiplos interesses humanos, e desta forma realmente promovermos a sustentabilidade. 
Ou nas palavras de Ignacy Sachs: “O desenvolvimento sustentável obedece ao duplo imperativo ético da solidariedade com as gerações presentes e futuras, e exige a explicitação de critérios de SUSTENTABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL E DE VIABILIDADE ECONÔMICA. Estritamente falando, apenas as soluções que consideram estes três elementos, isto é, que promovam o crescimento econômico com impactos positivos em termos sociais e ambientais, merecem a denominação de desenvolvimento”.

Roger Coutinho

segunda-feira, setembro 16, 2013

Gestão Ambiental

Os avanços ocorridos na área ambiental quanto aos instrumentos técnicos, políticos e legais, que veem construindo ao longo dos anos a estruturada política ambiental, são inegáveis e inquestionáveis. Nos últimos anos, saltos quantitativos foram dados, em especial no que se refere à consolidação de práticas e formulação de diretrizes que tratam a questão ambiental de forma holística.
No âmbito das organizações o retorno do investimento, antes, entendido simplesmente como lucro e enriquecimento de seus acionistas, de agora em diante, passa, fundamentalmente, pela contribuição e criação de um mundo sustentável, ou poderíamos dizer da sustentabilidade dos recursos naturais, que agora entendemos com finitos e escassos.
Estes processos de produção de conhecimento cristalizado práticas positivas e pró-ativas, que sinalizam o germinar de procedimentos e de experimentos que comprovam que o gerenciamento ambiental passa a ser um fator estratégico que a alta administração das organizações deve analisar.
Como exemplo análogo, temos: Se mantivermos o motor do nosso carro regulado, no intuito de atender a legislação ambiental (no que tange a emissão de gases e particulados), também teremos economizado de combustível, e nosso custo de transporte será reduzido. Da mesma forma se uma organização aperfeiçoa o uso de insumos e mitiga a perdas residuais. Esta organização maximiza seu lucro pela redução dos seus custos de produção. Simples assim.  

Roger Coutinho

Gestão

O termo Gestão, segundo o dicionário Aurélio Buarque de Hollanda, quer dizer, “ato de gerir; gerência, administração”. Sistema de Gestão, sob o ponto de vista empresarial, significa um modelo operacional que uma determinada organização adota para geri-la, não importando neste caso o seu porte ou seguimento. Toda e qualquer organização deve possuir um sistema de gestão, pois, do contrário, teria a sua própria existência comprometida.
É do interesse das organizações aparelhar-se quanto à gestão de diferentes matérias, como gestão da qualidade, gestão do meio ambiente, gestão da responsabilidade social, gestão da segurança e da saúde ocupacional, etc.
A organização desses padrões em sistemas de gestão que assegurem a previsibilidade desejada é sempre vantajosa para qualquer atividade, pois sua ausência ou ineficácia pode acarretar o aparecimento de (d)efeitos indesejáveis que trazem fortes impactos adversos aos resultados do “negócio”.

Roger Coutinho

quinta-feira, setembro 12, 2013

Você sabia?

Você sabia que em 1869, Ernest Haeckel propôs o vocábulo “ecologia” para os estudos das relações entre espécies e seu ambiente. Três anos depois, é criado o primeiro Parque Nacional do mundo, o de Yellowstone, nos Estados Unidos. Desde então, e principalmente após a 2ª Grande Guerra quando do crescimento desenfreado da produção industrial e do conseqüente acirramento da degradação do meio ambiente, começaram a surgir problemas de dimensões globais, que rompiam fronteiras e extrapolavam a regionalidade, como a poluição de rios e mananciais internacionais, a chuva ácida, o buraco na camada de ozônio, o efeito estufa, as ilhas de calor nos grandes centros urbanos, entre outros.
Nesse momento, percebeu-se a importância de uma reflexão mais profunda e a necessidade de um trabalho conjunto entre as nações, concentrando recursos financeiros e tecnológicos para a solução dessas questões e/ou para minimização dos impactos desses fenômenos no meio ambiente. Nesse sentido, diversas atitudes passam a ser tomadas, principalmente nos países do hemisfério norte. Algumas delas são emblemáticas, tais como a fundação em 1947, na Suíça, a UICN – União Internacional para a Conservação da Natureza, a mais antiga instituição ambientalista de que se tem registro.

Roger Coutinho

quinta-feira, setembro 05, 2013

Ecological Footprint Method

O Ecological Footprint Method é descrito como uma ferramenta que transforma o consumo de matéria-prima e a assimilação de dejetos, de um sistema econômico ou população humana, em uma área correspondente de terra ou água produtiva. Para qualquer grupo de circunstâncias específicas, como população, matéria-prima, tecnologia existente e utilizada é razoável estimar uma área equivalente de água e/ou terra. Portanto por definição, o Ecological Footprint Method é a área de ecossistema necessária para assegurar a sobrevivência de uma determinada população ou sistema.
Os países mais industrializados têm uma Pegada Ecológica superior a 6 hectares/pessoa/ano, gerando déficits globais. Isso significa que essas nações, para atender as suas necessidades de energia e materiais, apoderam-se da produção de outras nações. Poucos países são capazes de se sustentar com suas próprias terras. Argentina e Brasil são exemplos. Para manter os padrões de consumo da humanidade já se faz necessário um planeta 30% maior. Esse déficit é provocado pela degradação do capital ambiental e pela miséria de outros povos.
No contexto, é importante ter a consciência que cuidar dos recursos naturais é mesmo que cuidar da própria sobrevivência do homem. Portanto, é saber respeitar a mãe Gaia e estabelecer um liame de harmonia ao meio de tantos desejos e necessidades, ao invés de relegar ao segundo plano aquilo que aparentemente não possui importância para o nosso mercado de consum
o. Para minimizar os impactos negativos contra a natureza, e, em consequência o passivo ambiental, há a necessidade de transformar os hábitos de consumo da população e as atitudes em relação a fontes de recursos naturais, haja vista que tais comportamentos estabelecem ralações mais ou menos consultivas no modus de produção, na economia e nos gastos energéticos.