sábado, setembro 21, 2013

Arborização Urbana

Um fator ambiental de suma importância, mas negligenciado no desenvolvimento e no planejamento de áreas urbanas, é a cobertura vegetal. A cobertura vegetal difere da terra, do ar e da água, pois não é uma necessidade óbvia na cena urbana. A cobertura vegetal, em oposição a outros recursos físicos de áreas urbanas, é entendida pela maioria dos habitantes como uma função de satisfação psicológica e cultural do que como função física essencial. 
A cobertura vegetal desempenha relevante papel quanto a qualidade ambiental das áreas urbanas, sendo vários os benefícios que esta pode trazer para o ser humano, tais como: estabilização de superfícies por meio da fixação do solo pelas raízes; obstáculo contra o vento; proteção da qualidade da água, devido sua capacidade de conter o carreamento de  substâncias poluentes para os rios; redução de particulados em suspensão, agindo como uma espécie de filtro de ar; promoção do equilíbrio do índice de umidade relativa do ar; como barreira acústica; proteção das nascentes e dos mananciais; abrigo a fauna; organização e composição de espaços no desenvolvimento das atividades humanas; elemento de valorização estética; estabilização da temperatura do ar; segurança das calçadas como acompanhamento viário; aumento do contato da população com a natureza, colaborando com a saúde psíquica; recreação; contraste de texturas; árvores decíduas que lembram ao homem as mudanças de estação; quebra da monotonia urbana; possibilidade de consumo de frutas frescas e etc. 
Estima-se que um índice de cobertura vegetal na ordem de 30% seja o recomendável para a promoção de um adequado balanço térmico em áreas urbanas, sendo que áreas com índice inferior a 5% criam um microclima que se assemelha a um deserto. Nucci (2008) propõem como forma de planejar o processo de urbanização e ordenamento urbano, o agrupamento dos tipos de solo das áreas urbanas em sete classes, conforme segue:
Classe 1 – densa, com construções;
Classe 2 – densa, construções com limitada quantidade de áreas verdes;
Classe 3 – área muito impermeabilizada ou compactada com construções ocasionais (áreas de frete, carregamento, instalações portuárias , áreas de entreposto, todas sem vegetação);
Classe 4 – construções abertas com alta proporção de áreas verdes (mesma proporção áreas verdes e construídas – construções com jardins internos);
Classe 5 – superfícies impermeabilizadas em áreas verdes (amplas avenidas em parques ou bordas dos parques);
Classe 6 – áreas verdes em sua grande parte cobertas por florestas (árvores arrumadas de modo denso ou disperso em camadas de arbustos);
Classe 7 – em sua maior extensão formada por áreas verdes abertas (amplos gramados ou terras desocupadas dentro de parques ou bordas destes).
Sabe-se que ocorre uma redução progressiva da temperatura e um aumento da umidade relativa do ar se percorrermos da área classe 1 para 7, e também há uma redução do estresse na mesma ordem.

Roger Coutinho

Fonte: NUCCI, João Carlos. Qualidade ambiental e adensamento urbano: um estudo de ecologia e planejamento da paisagem aplicado ao distrito de Santa Cecília. Curitiba: Humanitas/FFLCH/USP, 2008

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